REGISTROS, GENEALOGIAS, HISTÓRIAS E POESIAS...
a fim de preservação da memória de nossos ancestrais
MARILIA GUDOLLE C. GÖTTENS

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terça-feira, 22 de julho de 2014

João da Silva Machado - (Barão de Antonina)

OBS:  Esta postagem encontra-se incompleta no referente a descendência do Barão de Antonina. Aos que desejarem complementá-la, sintam-se à vontade enviando-me os dados.


" A 24 de junho de 1782 o Vigário Manoel Garcia Mascarenhas batizava a João da Silva Machado, que mais tarde foi agraciado com o título de Barão de Antonina, nascido a 17 daquele mês e ano. Era filho legítimo do açoriano Manoel da Silva Jorge, natural e batizado na Freguesia de Santa Catarina da Ilha Fayal, Bispado de Angra, e de Antônia Maria de Bittencourt, nascida na Freguesia de Santo Ângelo do Rio Pardo (Rs), então pertencente ao Bispado do Rio de Janeiro. Era neto paterno de Inácio da Silveira, natural da Ilha São Jorge, e de  Ana Silveira, natural da dita Freguesia da Ilha Fayal; e materno do alferes Matias da Silveira, natural da Ilha São Jorge, e de Isabel Bittencourt, do mesmo Bispado de Angra; foram padrinhos Francisco Gomes Ferreira e sua mulher Francisca Inácio Gomes Ferreira (Liv.Iº de Bat.)."

     De simples tropeiro que comprava tropas no Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina e revendia-as nas feiras de Sorocaba, em São Paulo, na província de Minas gerais, Feira de Santana, na Bahia e chegou a levar animais até Caxias, no Maranhão, tornou-se segundo seu biógrafo, um elemento de progresso de São Paulo, Paraná, Santa catarina e Rio Grande do Sul. Por seu perseverante trabalho e valor, alcançou uma brilhante posição.
     Quando irrompeu a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, o Barão tomou parte ativa na defesa da legalidade e recebeu honras de Coronel Honorário do Exército. Reprimiu a revolução Liberal, que iniciou em São Paulo, em 1842, e se alastrava para o Paraná. Por isso, em 11 de setembro de 1843, recebeu o Título de Barão de Antonina, elevado a Barão com Grandeza pelo Decreto Imperial de 13 de agosto de 1860. Em 1853, atingiu o ponto culminante de sua carreira política, separando a Comarca de Curitiba e formando uma nova Província, a do Paraná, pela qual qual se elegeu Senador. Continuou residindo em São Paulo e atuando politicamente pelo Paraná. Fundou vários aldeamentos indígenas e núcleos coloniais (entre eles destaca-se Rio Negro e Mafra) no sul do Brasil. Foi Diretor da Fábrica de Ferro de Ipanema.
     Por relevantes serviços, foi designado com o Título de Vereador Honorário de Sua Majestade a Imperatriz, Grande do Império, Fidalgo Cavaleiro da casa Imperial, Grande Dignatário da Ordem da Rosa e Oficial da Ordem do Cruzeiro. Por tudo isso, associações culturais proclamaram sua capacidade. O instituto Histórico e Geográfico Brasileiro o recebeu como sócio.
     Na página 48 do Arquivo Nobiliárquico Brasileiro e na página 30 do Nobiliário Sul Rio-grandense está estampado o Escudo que descreve o Brasão e suas Armas: em campo de prata, um leão de púrpura armado de goles, tendo, na garra deste um catecismo e um rosário de ouro e na espádua um machado do mesmo metal; acompanhado à sinistra de um índio ao natural, virado para a esquerda, depondo as armas, que são de ouro. O Brasão foi passado em 17 de setembro de 1850. Registrado no Cartório da Nobreza, Livro VI, fl.40.

     O Barão foi casado com Ana Ubaldina Paraíso Guimarães, natural do Paraná, filha de Manoel Gonçalves Guimarães e Maria Madalena de Lima, de cujo casamento tiveram os seguintes filhos:

1. Maria Antonina, n. em Castro a 05/07/1815, que casou com o Coronel Mariano José da Cunha Ramos;

2. Francisca de Paula, n. na Vila do Príncipe, hoje Lapa, PR, que casou em São Paulo aos 19/04/1835 com o Capitão Joaquim da Silva Prado;

3. Balbina Alexandrina, n. na Vila do Príncipe, hoje Lapa, PR que casou em 14/04/1835, no Oratório Particular da Freguesia de Santa Efigênia, em São Paulo, com Luis Pereira de Campos Vergueiro, filho do Dr. Nicolau Pereira de Campos Vergueiro e de Maria Angélica de Vasconcelos.  Tiveram 13 filhos: Luísa, Balbina, João, Afonso, Francisca, Nicolau, Luiz Gonzaga, Joana, José, Ana, Maria Angélica, Otília e Artur.

4. Ana, n. em 26/08/1829, que casou com Fidelis Nepomuceno Prates;

5. Inocência Júlia, que casou com Fidêncio Nepomuceno Prates, irmão de Fidélis, natural de Caçapava, (Rs).



Arquivo Pessoal de Marilia Castro Gottens
Balem, Dr. João Maria  A Paróquia de São José de Taquari, Nov.1949, pg. 141, 
Serviço do Arquivo Histórico do Senado Federal Brasília - DF
Ecker, Adari Francisco  A Trilha dos Pioneiros Gráf. e Edit. Berthier - 2007

terça-feira, 23 de abril de 2013

Túmulo fora do Cemitério

No verão de 1872, Zeca Paula, filho de rico estancieiro do Rio Grande do Sul, trazia uma grande tropa, com destino à feira de Sorocaba, em São Paulo.
Exaustos pela travessia do caminho do Viamão, chegando aos Campos Gerais, estes resolveram fazer uma pausa forçada.
Enquanto os peões zelavam pela tropa, Zeca Paula hospedava-se na Freguesia de Palmeira, onde, foi então que deparou com uma linda jovem, filha de importante família local.
Os dois logo se apaixonaram. Conta a lenda que o pai da moça não apreciava o namoro. Foi então que a jovem deixou de ser vista na janela. Dizem que a linda moça padecia em um sítio muito distante, consolada por sua mãe.
Com o desaparecimento da moça, o namorado entristeceu-se a tal ponto, que foi ao desespero.
Pouco tempo depois, encontraram-no enforcado em seu próprio quarto.
Sendo esta grande injúria contra Deus, no seu sepultamento o pároco local não permitiu que seu corpo fosse enterrado no cemitério da capela Bom Jesus, ficando assim do lado de fora, e em cova rasa.
Não se passando muito tempo, veio seu pai a Palmeira, substituir aquela modesta cruz de madeira por uma sepultura de pedra e cal, onde colocou uma lápide com os seguintes dizeres:  "Aqui jaz José de Paula e Silva, filho do Barão de Ibicuí. Nasceu em 2 de Abril de 1835 e faleceu em 7 de março de 1873".
Com a reforma posterior do Cemitério, os restos mortais de Zeca Paula foram levados para o cemitério municipal, onde se pode ver a referida placa em seu túmulo.


Lendas e Contos Populares do Paraná/ SEC/ Cadernos Paraná da Gente:3, 21ª ed./2005.
Arquivo Pessoal de Marilia Gudolle Gottens

domingo, 28 de outubro de 2012

Cuentos do Itaqui - O Baile Azul





De tempos em tempos a sociedade vibrava com uma expectativa: a vinda de Buenos Aires, para o Teatro Prezewodoski, de uma companhia de zarzuelas ou de operetas, que havia marcado época na capital portenha. Do litoral, ou centro do Brasil, nada ou quase nada chegava à faixa da fronteira, onde se situa Itaqui. Do outro lado, a Argentina contava com todos os meios de cultura, inclusive com uma estrada de ferro, de bitola larga.Na memória do menino que cumpriu larga etapa de sua vida, por caminhos do Mundo, palpita ainda a saudade do tempo perdido, saudade, "esse mal de que se gosta e bem que se padece", como dizia o velho Francisco Manoel de Mello.
Revejo minha cidade comentando nas esquinas, nas janelas baixas de ombreiras de pedras caneladas, nas alcovas, nos salões, nas cozinhas, nos clubes, nas vendas, nas farmácias, em toda parte, o acontecimento marcado no tempo, há largo tempo, como promessa de vida na secura de um deserto. A data estava assinalada em cores em todas as folhinhas que vinham das "tiendas" de Alvear, estampadas com panoramas de Buenos Aires, e a hora prometida já palpitava em todos os relógios. No Teatro Prezewodoski seria realizado um "baile azul", em que todos os vestidos seriam dessa cor. As famílias ricas encomendavam a Buenos Aires os modelos mais raros e, os menos favorecidos da fortuna compravam do outro lado do rio os tecidos mais caros. As costureiras da cidade não descansavam e, nos "ateliers" rumorosos, parlantes, febris, era uma orgia de sedas, gorgurões, contas de vidro, pérolas e cadarços. Murmurava-se, de tudo e de todos. Os mais caros vestidos, encomendados do exterior, eram vistos pelas artesãs da cidade como coisas fantásticas. Havia uma novidade de proporções inéditas, que interrompeu muito sono de jovem concorrente: a filha de um fazendeiro milionário encomendara seu vestido de Paris. Dizia-se que a cauda, acolchoada em seda, mediria cinco metros e a menina, formosa e elegante, usaria um diadema de pedras preciosas.
 Os comentários eram vários: "Menosprezo à prata da casa...", "Vaidade que desafia a santa cólera de Deus...", "Exibicionismo ostentoso para afrontar o Itaqui..."," Pomadista que não vale a fortuna a vestir...".
Os dias corriam, intensificando o alarme geral dos espíritos. Os dedos das costureiras não cessavam, noites a dentro. Até crianças enfiavam contas de vidro.
A cidade, toda ela, era uma colmeia, uma oficina de luxo, santuário das vaidades mais humanas deste mundo.
O jornalzinho crítico, que corria de mão em mão, à saída das missas de domingo, na Igreja Matriz de São Patrício, alargara sua secção de "Dizem que...".
Enquanto a alma feminina da cidade entrava em delírio, cada qual ocultando da outra a invenção original, para que o plágio não estragasse a surpresa no grande "Dia Azul", os jovens refaziam suas casacas, compravam luvas novas, encomendavam sapatos de "charol", com entrada baixa e fivelas de prata.
Comissões de experientes artistas amadores - da terra - decoravam o salão, o palco e os camarotes do Prezewodoski.
A arraia-miúda, que éramos nós, penetrava em toda parte.
Um dia, depois de estafantes provas de vestidos na casa de minhas tias, com as meninas mais belas da cidade; de espartilhos por cima de cadeiras e sofás; ligas compridas e peças íntimas e toda a variedade de saias até os pés, farfalhantes, bojudas, pesadas de rendas de Flandres e Valência, deram comigo, escondido embaixo de um canapé, deslumbrado com o espetáculo inédito e de estranhos quebrantos para os meus olhos.
O dia, porém, chegou. Ao amanhecer, uma duzia de foguetes, queimados à frente do Teatro anunciava, aos quatro cantos da cidade, como alvorada, que o grande dia amanhecera... Alguém comentava: "que pena que o dia chegou, pois o bom foi viver estes três meses, da expectativa, dos sonhos, das ilusões e das esperanças. Um poeta da terra tecera um "Soneto Azul", "em gabação", com "pena de ouro", à maneira de Castro Alves, "nas lâminas do céu!" Era lustroso nas palavras, como a seda ou o cetim.
Um carreiro de formigas humanas começou a transportar, da casa de Dona Sinhá Rodrigues para a grande mesa de doces situada no palco do teatro, a confeitaria mais rica da cidade: os bolos vistosos, revestidos da neve dos merengues, cobertos de confeitos de cor de prata, azuis, vermelhos, amarelos; pudins que se enfileiravam, ligados por correntes de fios de ovos, à maneira de guirlandas; quindins, bom-bocados e papos-de-anjo, tudo aquilo que nos fazia a delícia dos olhos amoráveis e do paladar espicaçado.
Pratos de porcelana, pratos de cristais, bandejas de prata, de Sévres e Limoges, tudo deixou, nesse dia, o fundo dos guarda-louças preservados à chave. Passava aquela Procissão de novas Pan-Atenéias, sob os olhos ávidos do povo, deixando uma promessa de felicidade nos expectantes. O que consolava era o "logo mais..." E o "logo mais" era como um plano estratégico de assalto, uma declaração expressa   de beligerância.
À noite, os depósitos exteriores de carbureto ferviam como ventres de vulcões. Por todos os bicos que saltavam dos fios de chumbo, corridos à parede, envoltos pelas campânulas de cristal, a luz de acetileno jorrava, transformando o salão numa festa de luminárias.
Comissões de recepção, de atenção e fiscalização,  movimentavam-se à entrada do Teatro.
Filhos de fazendeiros, estudantes que vinham de Porto Alegre, a chamado dos pais, vestindo casacas da última moda,  jovens em férias, das Escolas Naval e de Guerra, forrados de alamares, em seus uniformes de gala e luvas brancas, tudo parecia transformar Itaqui, como em passe de mágica, no reino encantado de um conto de Scherazade.
Num quadrante do Teatro, em coreto especial, a orquestra de cordas que viera de Buenos Aires, esperava pelo momento da marcha triunfal, que marcaria o início da polonaise.
Deslumbramento e delírio em todos os corações, expectativa em todas as curiosidades.
Nas ante-câmaras reuniam-se as donzelas, umas devorando as outras com olhares que buscavam medir, analisar, avaliar, comparar, obcecadas pelas vaidades. Às dez da noite, formaram-se as filas de cavalheiros e damas, para a entrada solene no salão, de piso lustrado a estearina. A orquestra, a postos, esperava o sinal.
O maestro ergueu a batuta e correu o olhar à entrada. O Mestre de cerimônias acenou e os ritmos romperam, inundando de sonho e alegria o ambiente inflamado, estremecendo os seios nos camarotes, onde as grandes damas da cidade, numa atordoante sinfonia de azul, agitavam seus leques de plumas e madrepérolas, estendendo do alto o cabo de ouro do "lorgnon".
Em seguida, penetraram no salão os pares, num espetáculo que lembrava os contos de fadas de Mãe-Lúcia. Uma variedade bizarra de azuis, uma fortuna de jóias com brilhantes, a luzir, pérolas como gotas de leite em colos nus, decotados, arfantes, cinturas de vespas, com espartilhos premindo o ventre e o coração. Graça e beleza. Juventude e alegria.
A última hora, entrou, pela mão de um cavalheiro, a menina que vinha vestida à mais fina maneira de Paris, trazendo um diadema ducal à cabeça, penteada à moda do Império.
Um frêmito percorreu a sala inteira. Uma rainha no porte, na beleza e na elegância. A cauda, acolchoada de seda, pendia dos ombros como um manto real. Era filha de um chefe político da oposição. Os partidários prorromperam em aplausos. A outra banda silenciou.
Havia uma comissão julgadora para o premio consagrador. Mas, entre a filha do chefe oposicionista e a filha do chefe situacionista, pendeu a balança partidária. Motivo de escândalo. Decepção de muitos. Chacotas de outros. Mas, com tudo isso, a Rainha de uma noite de sonho, teve o despertar da Borralheira com seus sapatos de vidro.


Terra Xucra.   De Ornellas, Manoelito,  pgs. 24 a 27  Ed. Sulina 1968.
Biblioteca de Marilia Gudolle Gottens


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Bonifácio Soares da Silva e Bernardina Flora da Silva



Do casal BONIFÁCIO SOARES DA SILVA e BERNARDINA FLORA DA SILVA, nasceram os seguintes filhos: 1. DUARTE JOAQUIM DA SILVA (meu bisavô materno), nasceu em Alegrete, RS, em 16/6/1848, e faleceu em Itaqui, em 23/8/1917. Casado com MARIA JOSÉ MONTEIRO DA SILVA, filha do Cap. JOSÉ ANTUNES MONTEIRO e de RITA DE PAULA MONTEIRO.


Duarte Joaquim da Silva


Da descendência do casal Duarte Joaquim e Maria José, existem duas linhagens: uma que se refere a este casal, em especial, e a outra aos parentes de Rita de Paula Monteiro, da qual descendem os pais de José Eugênio da Silva, pais de Teodolino Monteiro da Silva, já falecido em Porto Alegre.
Da linhagem do casal DUARTE JOAQUIM DA SILVA E MARIA JOSÉ MONTEIRO DA SILVA, são os seguintes descendentes:





1. JOSÉ MONTEIRO DA SILVA, casado com CELINA MONTEIRO DA SILVA;
2. MARIA RITA MONTEIRO DA SILVA, casada com OTACILIO FONTOURA DA SILVA;
3. ISALINA DA SILVA GUDOLLE, casada com DJALMA PEREIRA GUDOLLE; nascido em 16/6/1885, no Distrito de São José, São Borja, RS. Filhos do Casal: 3.1. Rubem Silva Gudolle, 3.2. Euclides Silva Gudolle, casado com Eunice Bastos Sampaio;3.3. Nidia Gudolle Vidal, casada com Romualdo Nunes Vidal; 3.4. Duarte Silva Gudolle; 3.5. Maria Silva Gudolle Dias, casada com Paulino Nunes Dias; 3.6. Sibila Gudolle Bica, casada com Inácio Bica.
4. DUARTINA SILVA GUDOLLE, (minha avó materna), nasceu em 4/3/1888 em Itaqui, RS, e faleceu em 31/8/1889 em Porto Alegre. Casada com DEUCLYDES PEREIRA GUDOLLE , em 30/5/1913, e nascido em São Borja, RS em 5/01/1889, e falecido em Porto Alegre em 27/6/1971.;
FILHOS DO CASAL:: 4.1. Raul Silva Gudolle, nascido em 20/4/1914, em Itaqui,RS, casou em 31/7/1939 com Maria de Lourdes Palmeiro Gudolle, nascida em 9/9/1915, em Itaqui, Rs, filha de Luiz Acelino Palmeiro e Balbina de Souza Palmeiro; Filhos: 4.1.1. Deoclides Palmeiro Gudolle, casado com Maria Lucia Nogueira Gudolle; 4.1.2. Balbina Palmeiro Gudolle, casou com Ary Bawermann; 4.1.3. Raul Gudolle Filho, casado com Maria Helena Araújo Gudolle; 4.1.4. Manoel Luíz Palmeiro Gudolle, casado com Lorene Gudolle; 4.1.5. José Antônio Palmeiro Gudolle, casado com Carla Dulfe;
4.2. Benvinda Gudolle Dias, nascida em Itaqui, RS casada com Aureliano Nunes Dias; Filhos: 4.2.1. Claudio Gudolle Dias, casado com Marlene Dias; 4.2.2. Fernando Gudolle Dias; 4.2.3. José Carlos Gudolle Dias; 4.2.4 Lucia Dias de Bem, casada com Francisco Pires de Bem. ;
4.3. Maria Silva Gudolle, nascida em Itaqui, em 22/6/1918, solteira, falecida em Janeiro de 2011 em Porto Alegre;
4.4. Ruth Gudolle Dias, nascida em 23/01/1920, Itaqui, RS e casou com Telmo Dias, nascido em 1914. Filhos: 4.4.1Maria Rita Gudolle Dias, casada com Admir Villanova, 4.4.2. Maria Cristina Gudolle, separada ;4.4.3. Maria Ângela Gudolle Dias, falecida em 1996, 4.4.4. Diniz Dias Neto, solteiro.
4.5. Mario Duarte Silva Gudolle, nascido e falecido em em Itaqui, RS, casado com Eva Tripovich Gudolle; Filhos: 4.5.1. Raul Tripovich Gudolle, falecido, 4.5.2.Jose Mario Tripovich Gudolle, falecido, 4.5.3. Maria de Lourdes Gudolle Zacoutegui , 4.5.4. Silvio Tripovich Gudolle, 4.5.5. Marta Gudolle,4.5.6. Marisa Gudolle Rossi, 4.5.7. Maria da Graça Gudolle, falecida, 4.5.8. Sonia Gudolle, 4.5.9. Norma Gudolle Hubner, 4.5.10. Deuclides Tripovich Gudolle, falecido, 4.5.11. Humberto Tripovich Gudolle
4.6.Déa Gudolle Rosado, nascida em setembro de 1924 em Itaqui, RS, e casada com Benoni Dreher Rosado, falecido em 1990. Filhos: 4.6.1. Paulo Sergio Gudolle Rosado, 4.6.2. Ana Lucia Gudolle Socol, casada com Nestor Socol, 4.6.3.Vera Maria Rosado Maders, casada com Jorge Maders, 4.6.4. Maria Lucia Gudolle Rosado, solteira, 4.6.5. Nilza Maria Gudolle Rosado, separada, 4.6.6. Luiz Cesar Gudolle Rosado, solteiro, 4.6.7. Antonio Carlos Gudolle Rosado, casado com Eveline, 4.6.8. André Luiz Gudolle Rosado, solteiro, 4.6.9.Maria Cristina Rosado, casada com, 4.6.10. Mari Ângela Gudolle Rosado, separada.
4.7. ZILDA GUDOLLE CASTRO, nascida em 22/2/1926, e falecida em 23/8/2006, casada com VIRGILIO CASTRO FILHO, nascido em 9/3/1913, em Cruz Alta, RS, e falecido em 23/8/1993; Filhos: 4.7.1. Gilberto Gudolle Castro, nascido em 1957 em Cruz Alta, Rs, casado com Elizabeth Meirelles, 4.7.2. Marilia Castro Gottens, nascida em 1960, em Cruz Alta, RS, casada com Pedrinho Carlos Cadore Göttens, 4.7.3.Roberto Gudolle Castro, nascido em Cruz Alta, no ano de 1962, casado com Sueli Sommer.
4.8.Ilsa Silva Gudolle, nascida em Itaqui, Rs, em 1928.



Em pé, da esquerda para a direita: Déa e Benoni, Ruth, Maria de Lourdes e Raul, Zilda e Virgilio, Benvinda e Aureliano (Índio), Eva e Mario. Sentados da esquerda para a direita: Maria, Duartina (Iaiá), Deuclydes e Ilsa.


Casal Deuclydes e Duartina rodeado pelos Netos


5. ESMERILDA MONTEIRO DA SILVA, casada com JOSÉ FERREIRA SAMPAIO;
6.VICENTINA MONTEIRO RAMOS, casada com FERNANDO RAMOS;
7.DORVALINA MONTEIRO DA SILVA, solteira.

Arquivo Pessoal de Marilia Gudolle Gottens e Ari Caldeira da Silva

domingo, 30 de outubro de 2011

André Gudolle - 1914 a 1929



Esmerilda Monteiro Sampaio, 2ª sogra de André, faleceu em 14/01/1914, em sua casa, lugar denominado "Angico", na sesmaria de Santo Cristo.
No dia 4/4/1914 casa Djalmira com o jovem Hugo Veronese Cacciatore, negociante em Itaqui, RS.
O 1º filho de Deuclydes e Iaiá nasce em 1914, chamando-se Raul. Djalma, no ano de 1915, já tem 3 filhos, sendo o último chamado Rubem.
Permanece André em 1915 em Santo Izidro, com sua filha mais velha Malvina
Ainda no ano de 1915 Djalma muda-se para São José no Rincão da Cruz, onde fora arrendatário de 20 quadras de campos. Para esse local leva seu gado comprado de seu pai André em agosto de 1914. " Rincão do Inferno" está dispersado de gado, nesta data dezembro de 1915 ;nada tenho ali. Está a cargo de meu compadre Feliciano Soares, que nada ganha para cuidar os aramados e casa." (Memórias Manuscritas de André Gudolle).
Em Santo Izidro, ainda em 1915, André tem pouco gado invernado, ou seja, 250 reses de crias amestiçado zebu.
" Os meus interesses estão diminutos. Há, porém, com que pagar os meus débitos atuais, salvando o campo denominado Santo Izidro que pela alta dos preços dos campos, vale cem contos de réis, com bom estabelecimento de material (alvenaria). O campo está dividido em duas invernadas e mais potreiros. Boas mangueiras com tronco de madeira de lei. Continuo estes apontamentos com um interregno de dois anos, pois os fatos de interesse em nossa família, poucos a anotar-se".
Foi realizado o casamento de minha presada filha "Vindinha" (Delminda) com o jovem advogado Dr. Osvaldo Aranha, em 12/6/1917. Este é filho de nosso bom amigo Cel. Euclydes de Souza Aranha com a Exmº Srª Luiza Vale Aranha.
O casamento civil foi efetuado na Intendência Municipal de Itaqui (RS), perante grande concorrência de amigos de ambas as famílias. Na mesma ocasião, à noite, foi também realizada as núpcias da filha Eloá Aranha, filha dileta dos amigos anteriormente anotado. Foi com uma grande pompa." (Memórias Manuscritas de André Gudolle).
O 2º filho de Djalmira chama-se Luiz, com 11 meses em agosto de 1917.
"Estamos em agosto de1917. Dico além de Raulzinho, tem mais duas meninas. Perdeu o 2º filinho que era meu afilhado. Chamava-se Guido. As meninas, uma é Benvinda e a outra é Maria. Esta recentemente nascida." ( Memórias Manuscritas de André Gudolle).
Dico (Deuclydes) nessa época, achava-se trabalhando como tesoureiro na Intendência Municipal de Itaqui.
"Presado Djalma. És o meu filho mais velho, por isso te encarregarei de todos os meus negócios, quando eu já não possa exercê-los, mesmo depois do meu passamento, que peço a Deus, nosso criador, para prolongar fato que um dia se dará. Prolongar a minha existência que agora tenho mais necessidade dela, como vais ver."
"O que te relatei em carta de 20 a 26 de agosto (1917), te surpreenderá, no entanto, se refletires com calma, com critério, reconhecerás que o meu ato era o mais correto e social. Já tenho cumprido a minha missão para com meus filhos do 1º matrimônio, educando-os e colocando-os em nossa melhor sociedade, e vivendo só, atualmente, sem o amparo de uma terna companheira. Resolvi casar-me, o que farei brevemente, Deus permitindo."
"A minha escolhida recaiu em moça ainda jovem, não tem 30 anos. É tua prima 2ª, a filha mais velha de meu velho amigo Netto, teu tio primo. Tem predicados como seja: bela, muito meiga, com uma alma pura, rica de sentimentos, sem fortuna alguma, porém, a posse da pessoa dela é uma verdadeira fortuna. Estou resolvido definitivamente casar-me com ela, afrontando todos os óbices que possam aparecer. Te peço criteriosa aprovação e de tua esposa, minha boa nora Isalina. Sei que acatarás meu ato, dando-me a tua concessão, sem o menor constrangimento. Tua prima, que julgo que tu a conhecerás, chama-se Julia. A família a apelidou de Julica. Só vou orientar-te, o quanto ela é digna de entrar em nossa família, não só pelas suas boas qualidades, educação, como pelo seu desprendimento de interesses e abnegação. Propus, como te disse em minha citada carta, de dar-lhe um pequeno dote para assegurar o seu futuro. Contestou-me, quase indignada que não aceitava dote algum, que se casava por amizade, indo mais longe, pelo muito amor que já por mim sentia. Admirei este seu gesto. É de uma candura quase celestial. Seria para mim uma felicidade se não encontrar contrariedade na opinião de meus amados filhos. À todos escrevi longas cartas, advogando a minha nobre causa. Espero ser bem interpretado com a aprovação de todos os seres que me são caros. Tratarei de trabalhar ainda, para conseguir um pecúlio para ela. Ela que abnegadamente aceita a minha mão de esposo, sem interesses de bens. Em remuneração em tempo, pela sua desinteressada dedicação a minha pessoa." (Memórias Manuscritas de André Gudolle".
André Martins Gudolle, casa em 3ªs núpcias no dia 4/01/1918, com Júlia Nunes Netto, filha de José Nunes Netto e Adelina Saldanha Netto, em Santo Izidro onde André já morava. "Julgo-me feliz com este enlace. É tão boa e carinhosa a minha amada Julica, que lamento não ter sido este casamento há mais anos". (Memórias Manuscritas de André M. Gudolle).
No dia 19/01/1918, ou seja, 15 dias após o casamento de André e Julica, morre seu filho Heraclides (2º casamento) em Porto Alegre. Foi assassinado pelos bandidos Azambujas, os quais foram processados.. Heraclides caiu morto, após lutar de bengala contra cinco homens, e, no final atirando com um revólver, feriu os cinco.
"Essa desgraça em minha família, já é o 2º fato. Raul sucumbiu a tiros, desferido pelo falso amigo Fernando Marques. São fatos estes que me é duro recordá-los. Deus é justo, saberá punir os criminosos se a justiça falsa de nossa terra não souber cumprir os seus deveres. Falo lentamente nesse assunto, com já disse, doe-me recordar que perdi esses amados filhos, tão jovens ainda.
No dia 30/8/1918 nasce em Uruguaiana, RS Luisa Zilda (Zazi), filha de Delminda Benvinda (Vindinha) e Osvaldo Aranha.
Nesse ano de 1918, Djalmira tem mais uma filha, chamada Elba. Djalma mais um filho.
Pela metade do ano de 1918, André escreve carta a seu filho Djalma nos seguintes termos: " Djalma, meu prezado filho. Como não somos eternos e já eu tenho vivido 67 anos que irei fazer em 4/2/ do ano próximo futuro, passo a tomar algumas disposições abaixo exaradas.
Em nome de nosso Deus todo poderoso, nosso Pai Celestial. Com o gozo de todas as minhas faculdades mentais, faço estas declarações: Peço-vos pagarem todas as minhas dívidas comerciais: no Banco da Província, vinte e quatrocentos e tantos, no Banco Pelotense, trinta e tantos contos; creio ser R 33:665000, salvo engano. Ao Sr. Paulino A. de Menezes em Uruguaiana, 5:000 e um pouco mais, ao meu genro Osvaldo Aranha, R: 3000 (três contos de réis), à Dª Alice Barcellos R: 5000000, estando os juros pagos até 22 do corrente mês, como bem sabe o meu genro Hugo. Para a viúva de Manoel Reis Martins, seis contos de réis, já pagos os juros até 30 do corrente mês. Para este pagamento tenho dinheiro em mãos (quatro contos, couro e lã). Para Galdino W. da Costa, 4 contos de réis. Calculo dever oitenta e poucos contos de réis a estranhos.
Tenho para estes pagamentos o seguinte: 90 bois mansos invernados que se não baixarem de preço, produzirá em vendas com gados (240:000). Tenho 220 reses gordas (140:000), tenho 380 reses de cria.
Devo mais: Ao meu filho Djalma, 100 reses de crias, das quais também pago arrendamento, que está pago até 28 de março deste ano. Devo mais a minha Esmerilda, o valor constante no inventário feito por morte de sua mãe Maria Luisa Sampaio Gudolle, minha 2ª esposa, oitocentos e tantos réis, segundo se vê em seu formal de partilha. A esta devo mais100 reses de crias.
Tenho arrendado de D. Ludovina Netto S. Mello, 49 reses de crias, ao preço de R 6,500 por cabeça, pago o arrendamento até 30 de agosto do corrente ano. Devo a esta senhora por uma promissória, sete contos e setecentos mil réis, que se vencerá no dia 8 de setembro de 1919, a qual letra é para reformá-la a razão de 10 contos de réis anuais, garantida com campo do Rincão do Inferno.
Possuo mais esta fazenda de Santo Izidro, com meia légua de sesmaria que, com benfeitorias, a estimo em R 150:000. Tenho no Rincão do Inferno 13 quadras de sesmaria de campo, campo este que foi de meu inesquecível filho Heraclides. Há, portanto, com que pagar o meu passivo.
A fazenda Santo Izidro, deve ficar para um dos filhos, o que possa comprar as partes uns dos outros.
Disponho de meus bens do seguinte modo: Pago o passivo do ativo..... em campos. Do Rincão do Inferno, dou à minha mulher Julia Nunes Gudolle 5 a 6 quadras de campos e o estabelecimento do "Rincão do Inferno"; mais 500 ovelhas que para o ano próximo terá mais desse número e também todos os móveis constante da casa de Santo Izidro, excetuando-se um piano, que dou à Esmerilda, e os retratos que pertencem aos meus filhos.
Peço aos meus amados filhos, que não ponham a menor dúvida do que fica exposto. Nos móveis que há em Santo Izidro, alguns pertencem a Malvina. Observo que Malvina é minha filha natural, e como tem sido muito boa e tem servido de mãe para meus filhos em geral, podem considerá-la como herdeira. Peço então dar-lhe uma fração de campo no Rincão do Inferno com 5 quadras de sesmaria.
No Rincão do Inferno tenho 13 quadras de sesmaria como já disse, e 3 quadras e um quarto para mil...........campo, que foi do finado Guido, campo este que vem de seus avós maternos.
Ainda, os móveis: tem alguns que pertence a Milida e Malvina como já disse. Ainda para Julica, lego dos móveis, o que foi comprado para ela, no ato de nosso casamento. Mobília de quarto, cômoda e da sala, o que é cadeiras e sofá. Também lego..................................................." (Memórias Manuscritas de André Gudolle)
INFELIZMENTE O DIÁRIO DE ANDRÉ MARTINS GUDOLLE FINALIZA ASSIM, TENDO O MESMO FALECIDO EM ITAQUI/RS, NO ANO DE 1929, local onde foi sepultado.

Arquivo Pessoal de Marilia Gudolle C. Göttens