REGISTROS, GENEALOGIAS, HISTÓRIAS E POESIAS...
a fim de preservação da memória de nossos ancestrais
MARILIA GUDOLLE C. GÖTTENS

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Poesia - Deuclides Gudolle

Meu Coração

Meu coração é um velho jardim deserto
As flores jazem murchas no chão
E foi num jardim tão lindo ao céu aberto
Onde floresciam sonhos em profusão

As tempestades da vida em mar incerto
Que tudo arrasa as iras do tufão
Arrasaram sem dó, deixando descoberto
As tristezas da vida, meu velho coração

E o velho jardineiro já alquebrado
Não podendo reconstruir, velho e cansado
Tudo contempla com tristeza e dó...

E reafina a velha lira, a companheira
De tantos sonhos e ilusões fagueiras
Para os últimos cantar, tristonho e só.

DELLE - Santa Thereza, 7/9/1937

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Poesia - Deuclides Gudolle


Ouvindo um Poeta

Eu também tenho saudades do pago
Das coxilhas de meu lindo rincão
Das tardes lindas, dos doces afagos
E das carícias de sua viração.
E de quando eu saia à passos largos
No cavalo de minha estimação
Eu ia tomar um doce amargo
Voltando mui tarde ao galpão.
Tudo isso recordo com saudade
Na certeza desta realidade
Do diferente meu viver de agora.
Não sou mais o gaúcho que altaneiro
Cruzava sempre só, sem companheiro
Por aquelas noites lindas lá de fora...

DELLE Santa Thereza - 1949


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Douro

À minha porta passa um rio,
Um rio tão grande
Que parece um Douro.

E esse rio passa na terra onde nasci,
E tráz com ele um néctar tão doce
Que só pode vir do Douro.

E nos meus livros tenho um poeta,
Que me alimenta a alma
A falar do Douro.

Assim fico vaidoso e sou um privilegiado,
Não preciso de musas,
De crises existenciais,
De palavras difíceis
Pensamentos complicados,
Nas minhas veias,
Corre um rio Douro.

Carlos Maduro
Santa Maria da Feira
Portugal