REGISTROS, GENEALOGIAS, HISTÓRIAS E POESIAS...
a fim de preservação da memória de nossos ancestrais
MARILIA GUDOLLE C. GÖTTENS

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sábado, 4 de maio de 2013

Momentos Eternos

                      Casamento de Eunice Sampaio e Heraclides Silva Gudolle
                   

                       Casamento de Sybilla Silva Gudolle e Ignácio Bicca




                         Casamento de Irma Moreira e Duarte Silva Gudolle



                              Casamento de Gigi Silva e Alfredo Ayubi



Arquivo Pessoal de Marilia Gudolle Gottens










sábado, 25 de agosto de 2012

Eternas Lembranças...








Duarte Joaquim da Silva e Maria José Monteiro Silva (Vó Zé), com a Filha Dorvalina



     







Arquivo Pessoal de Marilia Gudolle Gottens                                              

quinta-feira, 22 de março de 2012

Déborah Krebs Conceição - Uma Doce Lembrança


Quando fui estudar em Santa Maria, RS para prestar vestibular em 1978 e 1979, conheci Déborah Krebs Conceição na casa de meus tios Déa e Benoni, onde eu morava. Ela era amiga de uma de minhas primas e fomos fazendo uma longa amizade. Logo depois, Déborah que era professora da UFSM, do Departamento de Química, foi convidada para lecionar a disciplina de Química Orgânica e Inorgânica no cursinho que eu frequentava.
Não poderia estar mais feliz, em ter a nossa amiga como professora. Ela era uma pessoa singular, expressiva e de uma personalidade marcante. Onde estava, não havia tristeza, pois sua alegria era contagiante.
Lembro a primeira vez em que fui à sua casa, lá conhecendo seus pais S. Fábio Silva Conceição e D. Tereza Krebs, que estavam de visita na cidade, pois moravam na estância em São Vicente.
Conversa vai, conversa vem, seu Fábio perguntando sobre minha família, após eu responder, assim me disse: Sabe menina, somos parentes e bem próximos; pelo lado dos Gudolle e dos Silva!!!!! Achei aquilo fascinante e contei a minha tia e depois à minha mãe, e elas confirmaram o parentesco sim.
Os filhos de S. Fábio e D.Tereza residiam em Santa Maria, naquela casa enorme da R. Prof. Teixeira. Se não me engano, Celso, o mais novo, morava com os pais.
Lembro da Marilia, minha tocaia, da Marta, do Carlos, do Décio e não recordo de ter visto o Álvaro, acho que não o conheci, e é claro, a Déborah.., minha doce lembrança.
Muitas vezes depois, encontrei S. Fábio na sua casa em Santa Maria. Ele vinha sempre sorridente e conversador e a mim se referia:" Olá, minha parentinha, como vais?" "e teu pessoal, todos bem?".
Déborah foi para mim, aquela pessoa que eu sentia segurança e que se preocupava comigo principalmente, em relação aos meus estudos.
Várias vezes me levava para a sua casa, e preparava um belo jantar juntamente com sobremesas maravilhosas que ela gostava de fazer. Ficávamos retomando nossa Química por 1 hora, e depois, já bem tarde da noite íamos conversar sobre outros assuntos, como "nossos amores, até "pirar", como ela dizia.
Déborah foi uma das pessoas mais queridas que passou pela minha vida, cujas lembranças jamais se apagarão.
Nossas saídas do cursinho à noite, passando sempre por uma confeitaria que ficava aberta até bem tarde, localizada algumas casas antes da Catedral. Como eu gostava daqueles doces!!!! Lá, ela comprava-os e vínhamos comendo pelo caminho até onde eu morava. Para chegar até sua casa, era preciso passar pela minha. Então, ela entrava e ficava mais um longo tempo conversando com minha prima e comigo.
Outras vezes Déborah me levava até a UFSM onde mantinha sua sala no Departamento de Química. Lá, enquanto trabalhava, me passava a matéria que iria ver no cursinho à noite.
Era Déborah, uma pessoa muito simples, tinha um jeito único de ser, gostava de bem vestir e vivia sempre de bem com a vida.
Era uma pessoa fantástica que eu tive o privilégio de com ela conviver.
Quando retornei à minha cidade, não perdemos contato. Correspondia-mos contando de
nossas vidas. Devo ainda ter suas cartas, que de tão bem guardadas, não consigo encontrá-las.
Com o tempo, nossas correspondências foram diminuindo, mas no seu aniversário, eu sempre enviava-lhe um cartão.
Alguns anos depois, por duas vezes, nos encontramos casualmente na praia de Capão da Canoa. Lá muito conversamos, relembrando nossos tempos vividos, com a promessa de nos reencontrar mais vezes.
Mas como o tempo é nosso eterno companheiro, me afastou de Déborah.
Mas o mais incrível de tudo, aconteceu em março ou abril de 2010, época em que eu estava montando o quebra-cabeças da genealogia por parte de minha avó e meu avô maternos, quando encontrei os ascendentes de Déborah e S. Fábio, cuja ligação vem a ser bem próxima.
Nessa época, invadiu-me uma saudade e vontade de rever a doce amiga. Quando soube que a mesma não mais morava em Santa Maria, mas em Cacequi, e estando casada, não lembro como, mas consegui o telefone de Marilia, sua irmã, e de seu Fabio, com quem falei por uns momentos.
Finalmente, liguei para minha amiga e ela atendeu-me dizendo: "È a minha amiga doutora"?
"Como te passas"? "Que baita saudade"!!! Eu somente a ouvia, emocionada. E no final assim falou: " Me escreva contando da vida, pois não tenho e não gosto desse tal apetrecho de internet"!!!
No mesmo dia a escrevi, mas não veio resposta. Assim mesmo eu estava feliz com nossa longa conversa.
Quando foi numa manhã fria de junho do mesmo ano, mais ou menos 2, 3 meses que tínhamos conversado, recebi o mais triste e mail até hoje por mim recebido, de minha prima de Santa Maria avisando-me do falecimento inesperado de nossa querida amiga Déborah, num baile em Cacequi.
O choque que tive foi muito grande, ficando eu por muito tempo, sem conseguir assimilar o seu retorno à pátria espiritual.
Hoje, já passados quase dois anos de seu desencarne, penso que Déborah deva estar em contínuos ensinamentos de química, em alguma colônia espiritual, falando da "piração dos elétrons e dos prótons" e da sua química orgânica. Somente assim faz sentido para mim, aceitar essa distância tão distante fisicamente.
Um dia, não sabemos quando, tenho a plena certeza de que iremos nos reencontrar, pois como diz uma sábia companheira da casa espírita:" Os que se amam, se reencontram na eternidade".
À Você, Déborah, muita paz e luz...
Marilia.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Algumas funções e cargos públicos desempenhados por Oswaldo Aranha





Oswaldo Aranha Uma Biografia - Hilton Stanley 1994 Ed. Objetiva
Oswaldo Aranha O Rio Grande e a Revolução de 1930 - Lago, Luiz Aranha Corrêa do
1995 Ed. Nova Fronteira
Arquivo Pessoal de Marilia Gudolle Göttens








O casamento de Oswaldo Aranha e Delminda Pereira Gudolle


De retorno à sua terra natal, Oswaldo Aranha instalou sua banca de advogado em Uruguaiana, município vizinho de Itaqui e Alegrete e próximo a Santana do Livramento, São Borja e Quaraí, locais em que frequentemente exerceu sua atividade profissional, tendo depois como sócio Alfredo Lisboa Ribeiro.
Após fixa rsidência em Uruguaiana, e casa-se em 12 de junho de 1917, na cidade de Itaqui, com Delminda Benvinda Pereira Gudolle (Vindinha), filha de André Gudolle (1852-1929), comerciante e estancieiro em Itaqui, e de Maria Benvinda Pereira (1860-1894), e neta de Jean Gudolle (1824-1869) que emigrara da França para o Brasil por volta de 1848, tornando-se comerciante e casando com Virgínia Martins (1839-1891), filha do espanhol André Sebastian Martinez e de Flaubiana de Vargas, segundo Memórias Manuscritas de André Gudolle. A mãe de Vindinha, descendia de Antonio Nunes, açoriano que chegara ao Rio Grande do Sul em 1752 e de Sebastião Nunes já nascido em Rio Pardo em 1768. Como se vê, a ascendência de Vindinha incluía vários dos elementos que contribuíram para a formação do povo gaúcho, antes do aumento da corrente migratória européia de fins do século XIX.
A primeira filha do casal Aranha, Luiza Zilda, nasceu em 1918. Depois nasceram Euclydes em 1920, Oswaldo em 1921 e Delminda em 1923.
"Foi realizado o casamento de minha presada filha Vindinha, com o jovem advogado Dr. Oswaldo Aranha, em 12/6/1917. Este é filho de nosso bom amigo Cel. Euclydes de Souza Aranha e sua Exmª Senhora Luiza Vale Aranha.
O casamento civil, foi efetuado na Intendência Municipal de Itaqui, perante grande concorrência de amigos de ambas as famílias. Na mesma noite, foi também realizada as núpcias da filha Eloá Aranha, filha dileta dos amigos anteriormente anotados. Foi com uma grande pompa." (Memórias Manuscritas de André Gudolle).










Oswaldo Aranha - O Rio Grande do Sul e a revolução de 1930 - Lago, Luiz Aranha Corrêa do
Arquivo Pessoal de Marilia Gudolle Göttens

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Personalidade e Genealogia de Bonifácio José Nunes


BONIFÁCIO JOSÉ NUNES é uma personalidade invulgar, destacada por sua bondade, retidão de caráter, operosidade no trabalho e espírito comunitário.
Naquela época, quando não havia justiça organizada, os pleitos, surgidos entre vizinhos, eram decididos por arbitragem de cidadão idôneo, escolhido pelas partes.
Esta difícil tarefa, ninguém superou a BONIFÁCIO, tanto que existia um provérbio na região, pronunciado quando havia contenda entre dois disputantes e se apelava para o juízo de terceiro.
- "O que compadre BONIFÁCIO disser é o que se faz!"
O dito popular provinha da grande ascendência que este personagem exercia na comunidade regional.
Quem teve contato com a geração que alcançou o venerando ancião e dela ouviu a narração dos feitos por ele, cotidianamente, orgulha-se de seu ponderado critério, de sua exacerbada abnegação e de sua proverbial honradez.
Possivelmente, Rafael Pinto Bandeira, ao dar-lhe baixa do serviço ativo do exército, o tenha investido de alguma autoridade sobre o acampamento militar que, gradativamente, ia se transformando em vilarejo. Exerceu tal ascendência inicial sobre os residentes e vizinhos que é de supor ser a mesma emanada de delegação especial de poderes. Pronto careceu o título de nomeação, impondo-se por suas qualidades humanas ao povo solícito, que o procurava em busca de conselhos.
Destacou-se não só no domínio dos sentimentos, como no afã ao trabalho. A primeira oficina industrial, que existiu na fronteira; uma olaria, garantindo a estabilidade da povoação, foi criada por diligências suas. Grande plantador de trigo, sobrando-lhe tempo, desenvolveu extensa cultura de mandioca que transformava em farinha no engenho construído na própria fazenda. Com o passar dos anos, transformou-se em criador de bovinos, quando o gado, valorizando-se pela instalação das charqueadas, passou a ser negócio rendoso.
Enriquecendo em poucos anos não gozou egoisticamente a fortuna adquirida; antes," tratou de fazer partícipe do produto de seus labores o povo em cujo meio vivia".
BONIFÁCIO ao morrer deixou uma estância nas pontas do Arroio Grande, no Herval, com cerca de 10.875 hectares, povoadas com 3.800 reses, 300 cavalos e 250 ovinos. Consta ainda da relação de seus bens, além de casas na vila do Herval, 29 escravos. Na República Oriental do Uruguai, na Serra de Rios, possuía outra estância com área de 3.700 hectares.
Os pais de BONIFÁCIO JOSÉ NUNES foram Antônio Nunes e Ana Maria do Nascimento que contraíram matrimônio a 24 de Setembro de 1784, na igreja de Santo Ângelo do Rio Pardo, sendo a cerimônia oficiada pelo padre Mateus Pereira da Silva, servindo como testemunhas Custódio Leite Ferreira e Francisco Coelho. Antônio Nunes era natural da Ilha Terceira, filho de Antônio Nunes Corvello e de Maria da Conceição. Ana Maria do Nascimento era natural da Ilha de São Jorge, filha de João Silveira de Quadros e de Maria de Ávila.












BONIFÁCIO JOSÉ NUNES, natural de Rio Pardo, foi batizado nesta paróquia a 21 de Agosto de 1769. Infelizmente não existe mais o livro nº 2 de batismo de Rio Pardo, dos anos de 1763-1774, para precisar a data de seu nascimento. Há informações de que tenha sido no ano de 1768.
Casou BONIFÁCIO com GERTRUDES BERNARDA DE ASSUMPÇÃO, natural de Santo Antônio da Patrulha. Foi batizada em 06 de Outubro de 1777, na paróquia de Santo Antônio da Guarda Velha, de Viamão, pelo vigário Francisco Coelho de Fraga, sendo madrinha Maria Felícia da Natividade, mulher de Antônio Nunes Benfica. Era filha de José Francisco Vieira (Antonio Teixeira Barroso e Maria Vieira Machado) e de Ana Rosa Joaquina (Amaro Cardoso de Siqueira e de Maria Vieira), naturais da Ilha de São Jorge, freguesia de Nossa Senhora das Neves, todos do Bispado de Angra.



O casal teve longa existência. BONIFÁCIO viveu 95 anos, falecendo no Herval em 1863. GERTRUDES morreu aos89 anos, na cidade de Pelotas, em 22 de fevereiro de 1865. Tiveram 16 filhos, sendo 10 mulheres e 6 homens. Seus netos atingiram a mais de 100. De GERTRUDES diziam que era uma verdadeira amazonas, apreciando a arte da equitação "mas que sabia conciliar a esportividade com os sentimentos mais delicados inerentes ao coração da mulher".

Nunes Vieira, José Cypriano, Edifunba - 1988

domingo, 14 de agosto de 2011

Bonifácio José Nunes - Uma das últimas ações da Epopéia Farroupilha

Após a derrota no Seival, o Coronel Silva Tavares escapa reunindo 30 companheiros remanescentes com o objetivo de atacar Piratini, a capital dos Farrapos. Silva Tavares encontrava-se na sede da fazenda de seu sogro BONIFÁCIO JOSÉ NUNES acompanhado por um grupo de colaboradores de elite, visitando uma filha recém chegada do Uruguai. Nesse meio tempo David Canabarro os surpreende por forte fuzilaria, os quais responderam a bala. A tenacidade da resistência e disposição para a luta levavam os atacantes a propor a capitulação sob condições. Prevendo um cerco demorado, sem esperanças de socorro e receando a falta de víveres, o chefe imperial resolveu parlamentar. Apelou para o sogro, solicitando que se encarregasse da espinhosa tarefa. "Saiu o velho BONIFÁCIO ao peso de seus quase 77 anos, a entender-se com Canabarro que não se fazendo esperar conferenciou com Silva Tavares, a quem garantiu, sob palavra de honra, a vida de todos".
A respeitabilidade e a força moral, inspiradas no venerando ancião, dobraram os vencedores, apesar da embriaguez do sucesso que os havia empolgado.
Receberam-no com atenção e deferência, concordando em discutir as condições de rendição com o seu genro.
Este fato se deu em 17 de Dezembro de 1836, na estância de BONIFÁCIO JOSÉ NUNES, no Herval.
A revolução se alastrava conseguindo cada vez mais adeptos; a economia da província sentia os efeitos desastrosos da guerra. BONIFÁCIO, amparado pelo neto, lamentava a perda de entes queridos, abatidos na luta fratricida e a separação daqueles que tinham emigrado ou ausentes por estarem engajados nas tropas.
Por volta de 1840, a família de Silva Tavares mudas-se para o Rio Grande. Por esta época, D.UMBELINA BERNARDA DE ASSUMPÇÃO NUNES, esposa de João da Silva Tavares, deu duas netas à BONIFÁCIO: Maria Cecília, nascida em 06 de Janeiro de 1839 e Rita, nascida em 12 de Maio de 1840. Ambas faleceram ainda crianças.
O Capitão Balbino Manuel Francisco de Souza, comandava a esquadra Imperial em combate no dia 21 de Junho de 1844 na vila de Jaguarão, constituindo-se uma das últimas ações da guerra farrapa.
O Capitão Balbino, se casaria mais tarde com a neta de BONIFÁCIO, de nome GERTRUDES, natural do Herval.
O tratado de paz de Ponche Verde, foi assinado a 25 de Fevereiro de 1845, terminando definitivamente com a Revolução Farroupilha.
BONIFÁCIO, brindado com outra neta, nascida no Rio Grande, a 15 de Outubro de 1842, recebeu o nome de MARIA CECÍLIA, a segunda da descendência. Casa em Bagé, no ano de 1870, com o médico pelotense Gervásio Alves Pereira.
O casal Silva Tavares deu ainda ao patriarca mais dois netos, que nasceram no Rio Grande, o chamado Francisco, a 05 de Agosto de 1844 e batizado como José Bonifácio, a 19 de Março de 1845. Ambos teriam papel destacado na Revolução Federalista de 1893.
Tanto o casal BONIFÁCIO JOSÉ NUNES, como os seus descendentes e amigos sofreram enormes represálias, devido às posições políticas assumidas. A população que era partidária do trono, viu-se compelida a abandonar a terra natal.
João da Silva Tavares, não voltou a residir mais no Herval. Ficou morando em Bagé, onde conseguiu reconstruir a sua fortuna, pois havia perdido seus campos tanto no Herval como no Uruguai.
BONIFÁCIO e sua mulher continuaram morando no Herval, mas os seus descendentes espalharam-se por Pelotas, São Gabriel, Rio Grande e Bagé.
A população do Herval em 1845, não alcançava a metade do que fora antes da guerra. O progresso estacionou por muitos anos.
Seguindo-se, no ano de 1851, veio a guerra contra Rosas, sendo que do Herval participou toda a juventude, incluindo-se José Aparício Vieira Nunes, neto de BONIFÁCIO. José Aparício, que mais tarde seria eleito em mais uma legislatura, intendente do Herval, era filho de Antônio Vido Assumpção Nunes e de Firmiana Caetano Vieira.
Com a derrota de Rosas, o esquadrão ervalense regressou à terra natal e José Aparício Vieira Nunes, recebeu o posto de tenente.
A campanha contra Rosas, foi o penúltimo envolvimento militar presenciado por BONIFÁCIO., que neste ano completou 84 anos de existência. Lúcido, embora distante da maioria de seus descendentes, tinha notícias de que todos se voltavam às atividades produtivas nas cidades ou no campo, seguindo o seu exemplo de labor e solidariedade, já que os homens precisam viver do trabalho de seu dia a dia, e não das glórias de suas guerras.
Em Julho de 1853 estourou um movimento revolucionário do partido colorado, em Montevideo. Os insurretos queriam a deposição do presidente Giró. Essa revolução obrigou o presidente a abandonar o poder, sendo que os líderes vencedores pediram auxílio do Governo Imperial Brasileiro, para restaurar e manter a ordem nacional.
Não houve lutas, e as tropas brasileiras retiraram-se de Montevideo.
BONIFÁCIO JOSÉ NUNES que lutara com Rafael Pinto Bandeira, contra os espanhois no estabelecimento definitivo de nossa fronteira sul, tornara-se, desde então, testemunha ocular de todos os movimentos armados, envolvendo os rio-grandenses e sua terra. Ao completar 88 anos de idade, via pela última vez uma campanha militar.
Como veio a falecer em 1863, não chegou a presenciar a Guerra do Paraguai.

Nunes Vieira, José Cypriano - Edifunba - 1988