REGISTROS, GENEALOGIAS, HISTÓRIAS E POESIAS...
a fim de preservação da memória de nossos ancestrais
MARILIA GUDOLLE C. GÖTTENS

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Poesia - Meu Velho Relógio - Deuclydes Gudolle

Meu velho relógio, há quantos anos
Eu te ouço bater com precisão
Marcando horas, minutos, desenganos
E dias venturosos de ilusão...

O tempo para ti é indiferente
Em teus tic tacs vais cantando
Sem te preocupar, sempre eficiente
Essa tua missão desempenhando...

Já marcastes horas aflitivas
Momentos de angústias decisivas
Daqueles que partiram para o além...

Também marcastes horas de alegrias
Assinalando os mais felizes dias
Nas cordas sonoras de teu vai e vem...
style="text-align: center;">
DELLE - 22/6/1956 POA



Arquivo Pessoal de Marilia Gudolle C.Göttens

Poesia - Cantando o Passado - Deuclydes Gudolle

Sempre que a saudade me castiga
Eu vou para o passado recordar
Reafino minha lira, velha amiga
E vou as minhas mágoas disfarçar...

E canto, desse passado já distante
A vida de um gaúcho cruzador
Que cruzava o rincão, feliz, contente
Embalado em lindo sonho encantador...

E tudo lembro com saudade
Das noites de luar, a claridade
Quando pelos pagos transitava...

O Cruzeiro do Sul era o meu guia
E por sua posição eu já sabia
A hora que ao rancho então voltava...

DELLE - 18/11/1955


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Bonifácio Soares da Silva e Bernardina Flora da Silva



Do casal BONIFÁCIO SOARES DA SILVA e BERNARDINA FLORA DA SILVA, nasceram os seguintes filhos: 1. DUARTE JOAQUIM DA SILVA (meu bisavô materno), nasceu em Alegrete, RS, em 16/6/1848, e faleceu em Itaqui, em 23/8/1917. Casado com MARIA JOSÉ MONTEIRO DA SILVA, filha do Cap. JOSÉ ANTUNES MONTEIRO e de RITA DE PAULA MONTEIRO.


Duarte Joaquim da Silva


Da descendência do casal Duarte Joaquim e Maria José, existem duas linhagens: uma que se refere a este casal, em especial, e a outra aos parentes de Rita de Paula Monteiro, da qual descendem os pais de José Eugênio da Silva, pais de Teodolino Monteiro da Silva, já falecido em Porto Alegre.
Da linhagem do casal DUARTE JOAQUIM DA SILVA E MARIA JOSÉ MONTEIRO DA SILVA, são os seguintes descendentes:





1. JOSÉ MONTEIRO DA SILVA, casado com CELINA MONTEIRO DA SILVA;
2. MARIA RITA MONTEIRO DA SILVA, casada com OTACILIO FONTOURA DA SILVA;
3. ISALINA DA SILVA GUDOLLE, casada com DJALMA PEREIRA GUDOLLE; nascido em 16/6/1885, no Distrito de São José, São Borja, RS. Filhos do Casal: 3.1. Rubem Silva Gudolle, 3.2. Euclides Silva Gudolle, casado com Eunice Bastos Sampaio;3.3. Nidia Gudolle Vidal, casada com Romualdo Nunes Vidal; 3.4. Duarte Silva Gudolle; 3.5. Maria Silva Gudolle Dias, casada com Paulino Nunes Dias; 3.6. Sibila Gudolle Bica, casada com Inácio Bica.
4. DUARTINA SILVA GUDOLLE, (minha avó materna), nasceu em 4/3/1888 em Itaqui, RS, e faleceu em 31/8/1889 em Porto Alegre. Casada com DEUCLYDES PEREIRA GUDOLLE , em 30/5/1913, e nascido em São Borja, RS em 5/01/1889, e falecido em Porto Alegre em 27/6/1971.;
FILHOS DO CASAL:: 4.1. Raul Silva Gudolle, nascido em 20/4/1914, em Itaqui,RS, casou em 31/7/1939 com Maria de Lourdes Palmeiro Gudolle, nascida em 9/9/1915, em Itaqui, Rs, filha de Luiz Acelino Palmeiro e Balbina de Souza Palmeiro; Filhos: 4.1.1. Deoclides Palmeiro Gudolle, casado com Maria Lucia Nogueira Gudolle; 4.1.2. Balbina Palmeiro Gudolle, casou com Ary Bawermann; 4.1.3. Raul Gudolle Filho, casado com Maria Helena Araújo Gudolle; 4.1.4. Manoel Luíz Palmeiro Gudolle, casado com Lorene Gudolle; 4.1.5. José Antônio Palmeiro Gudolle, casado com Carla Dulfe;
4.2. Benvinda Gudolle Dias, nascida em Itaqui, RS casada com Aureliano Nunes Dias; Filhos: 4.2.1. Claudio Gudolle Dias, casado com Marlene Dias; 4.2.2. Fernando Gudolle Dias; 4.2.3. José Carlos Gudolle Dias; 4.2.4 Lucia Dias de Bem, casada com Francisco Pires de Bem. ;
4.3. Maria Silva Gudolle, nascida em Itaqui, em 22/6/1918, solteira, falecida em Janeiro de 2011 em Porto Alegre;
4.4. Ruth Gudolle Dias, nascida em 23/01/1920, Itaqui, RS e casou com Telmo Dias, nascido em 1914. Filhos: 4.4.1Maria Rita Gudolle Dias, casada com Admir Villanova, 4.4.2. Maria Cristina Gudolle, separada ;4.4.3. Maria Ângela Gudolle Dias, falecida em 1996, 4.4.4. Diniz Dias Neto, solteiro.
4.5. Mario Duarte Silva Gudolle, nascido e falecido em em Itaqui, RS, casado com Eva Tripovich Gudolle; Filhos: 4.5.1. Raul Tripovich Gudolle, falecido, 4.5.2.Jose Mario Tripovich Gudolle, falecido, 4.5.3. Maria de Lourdes Gudolle Zacoutegui , 4.5.4. Silvio Tripovich Gudolle, 4.5.5. Marta Gudolle,4.5.6. Marisa Gudolle Rossi, 4.5.7. Maria da Graça Gudolle, falecida, 4.5.8. Sonia Gudolle, 4.5.9. Norma Gudolle Hubner, 4.5.10. Deuclides Tripovich Gudolle, falecido, 4.5.11. Humberto Tripovich Gudolle
4.6.Déa Gudolle Rosado, nascida em setembro de 1924 em Itaqui, RS, e casada com Benoni Dreher Rosado, falecido em 1990. Filhos: 4.6.1. Paulo Sergio Gudolle Rosado, 4.6.2. Ana Lucia Gudolle Socol, casada com Nestor Socol, 4.6.3.Vera Maria Rosado Maders, casada com Jorge Maders, 4.6.4. Maria Lucia Gudolle Rosado, solteira, 4.6.5. Nilza Maria Gudolle Rosado, separada, 4.6.6. Luiz Cesar Gudolle Rosado, solteiro, 4.6.7. Antonio Carlos Gudolle Rosado, casado com Eveline, 4.6.8. André Luiz Gudolle Rosado, solteiro, 4.6.9.Maria Cristina Rosado, casada com, 4.6.10. Mari Ângela Gudolle Rosado, separada.
4.7. ZILDA GUDOLLE CASTRO, nascida em 22/2/1926, e falecida em 23/8/2006, casada com VIRGILIO CASTRO FILHO, nascido em 9/3/1913, em Cruz Alta, RS, e falecido em 23/8/1993; Filhos: 4.7.1. Gilberto Gudolle Castro, nascido em 1957 em Cruz Alta, Rs, casado com Elizabeth Meirelles, 4.7.2. Marilia Castro Gottens, nascida em 1960, em Cruz Alta, RS, casada com Pedrinho Carlos Cadore Göttens, 4.7.3.Roberto Gudolle Castro, nascido em Cruz Alta, no ano de 1962, casado com Sueli Sommer.
4.8.Ilsa Silva Gudolle, nascida em Itaqui, Rs, em 1928.



Em pé, da esquerda para a direita: Déa e Benoni, Ruth, Maria de Lourdes e Raul, Zilda e Virgilio, Benvinda e Aureliano (Índio), Eva e Mario. Sentados da esquerda para a direita: Maria, Duartina (Iaiá), Deuclydes e Ilsa.


Casal Deuclydes e Duartina rodeado pelos Netos


5. ESMERILDA MONTEIRO DA SILVA, casada com JOSÉ FERREIRA SAMPAIO;
6.VICENTINA MONTEIRO RAMOS, casada com FERNANDO RAMOS;
7.DORVALINA MONTEIRO DA SILVA, solteira.

Arquivo Pessoal de Marilia Gudolle Gottens e Ari Caldeira da Silva

domingo, 20 de novembro de 2011

Genealogia de nossos Ancestrais SILVA



Do casal açoriano pertencente a primeira leva fixada em Rio Grande, MANUEL PEREIRA SOARES e MARIANA DA SILVEIRA SILVA, nasceu MATHEUS SOARES DA SILVA, em 8/12/1752, (pelo que consta, é o 1º filho de Casais Açorianos nascido no Rio Grande do Sul) em Viamão, mais precisamente no assentamento da Sesmaria de Itapuã, denominada Freguesia da Capela de Santana, na zona do Morro Grande, hoje 2º Distrito de Viamão, cuja área destinada às Datas, foi proveniente da Sesmaria doada ao Padre José Nunes Reis, que não fora aproveitada e nem explorada.
Essa Sesmaria após loteada em Datas, foi distribuída a 60 Casais de Açorianos, dos que se encontravam na área de Viamão aguardando destino como tantos outros.
MATHEUS SOARES DA SILVA, era neto paterno de ANTÔNIO GOMES DA SILVA e de CATARINA DIAS DA SILVEIRA. Pelo lado materno, neto de MANUEL DA SILVEIRA SILVA e de SUZANA TEIXEIRA DA SILVA.







Nosso MATHEUS casou com MARIA ANGÉLICA DE JESUS, filha de MATEUS CORRÊA e JOSEFA MARIA DE JESUS, ambos oriundos dos Açores e remanescentes dos Casais assentados nas cercanias do Forte Militar em Rio Grande.
Os pais e avós de MATHEUS, eram todos naturais da Ilha São Jorge, conforme consta da Certidão de Batismo no Livro 1747-1769, 1ª parte, fl.28, da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
Do casamento de MATHEUS e MARIA ANGÉLICA em 1772, houveram os seguintes filhos: 1. RAQUEL SOARES DA SILVA, nascida em 16/8/1792 em Santo Amaro, RS, 2. JOÃO SOARES DA SILVA, casado com Maria José, nascida em 12/4/1897. 3. CONSTÂNCIA SOARES DA SILVA, casada com Joaquim José César. 4 .ZACARIAS SOARES DA SILVA, nascido em 1780 em Santo Amaro, RS, casado com Ana Delfina de Atayde, nascida em Lages/Sc. 5. GERTRUDES SOARES DA SILVA, nascida em Santo Amaro, RS e batizada em 16/5/1755 em Triunfo, RS, casada com Manoel Francisco da Silva, filho de Domingos Martins Pereira e Ana Francisca da Silva. Gertrudes faleceu em 5/2/1825 no curato de Santa Maria da Boca do Monte 6. CÂNDIDO SOARES DA SILVA, nascido em 15/4/1790. 7. MANUEL SOARES DA SILVA, nascido em 11/2/1794, solteiro. 8. ANTÔNIO SOARES DA SILVA, nasceu em 1788, em Santo Amaro, RS, casado com Rosa Maria do Nascimento, filha de Agostinho Soares da Silva. 9. ANA SOARES DA SILVA, nasceu em 1796 e faleceu solteira, antes de 1864.






Nossa ancestral 1. RAQUEL SOARES DA SILVA, casou em primeiras núpcias com Joaquim Antônio da Costa, filho de Francisco Fernando de Barros e Catarina da Costa. Consta que este Joaquim Antônio da Costa era filho de pai desconhecido, mas perfilhado por Francisco Fernando de Barros.
Posteriormente, RAQUEL SOARES DA SILVA, casou em segundas núpcias com FRANCISCO SOARES DA SILVA que, por sinonimia deveria ser primo de RAQUEL.
Desse casamento de Raquel com Francisco, nasceu BONIFÁCIO SOARES DA SILVA em 20/5/1814.
BONIFÁCIO casa em 03/9/1845 com BERNARDINA FLORA DA SILVA, nascida em 1º/01/1826.
BERNARDINA era filha de José Joaquim da Silva, nascido em 28/7/1792 em Rio Pardo/RS, e foi casado com Florisbela Joaquina de Oliveira, nascida em 18/01/1802 em Viamão, filha do casal açoriano José Jacinto de Oliveira e Mariana Antonieta da Conceição, nascida em 23/4/1775 e que foram pais de 17 filhos, todos nascidos em Viamão/RS, entre os anos de 1783/1809, conforme registro de batismo na Igreja Nossa Senhora da Conceição de Viamão,RS.
Mariana Antonieta da Conceição era filha de José Soares de Barros e Catarina Machado, esta natural da Ilha de São Jorge.
José Jacinto de Oliveira casou em segundas núpcias com Ana da Silva, sendo que dessa união não houveram descendentes.

Arquivo Pessoal de Ari Caldeira da Silva e Marilia Gudolle C. Göttens


sábado, 19 de novembro de 2011

Os Casais Açorianos e sua integração à comunidade Sul-Riograndense

Alguns descendentes dos Casais citados na postagem anterior, ainda habitam terras na área dessas "datas" junto ao Morro Grande, onde ainda existe um centenário cemitério com túmulos semi-destruídos, com seus familiares ali sepultados..
Apesar do fracasso desse povoamento, em suas "datas" foram produzidas as primeiras lavouras de trigo, linho cânhamo, cana de açúcar, algodão e mandioca.
Os produtos excedentes eram exportados para as províncias ao norte do país, pelo porto lacustre de Itapuã, município de Viamão.
Nessa fase do assentamento de Casais localizados ao longo do estuário do Rio Guaíba entre a Ponta do Dionízio (Estaleiro Só) e atual Praça Gen.Sampaio junto ao Cais do Porto, eles foram se avolumando em número, face as novas levas de açorianos que eram remetidas pelas viagens já contratadas e oriundas do Arquipélago.
A partir de 1770, passariam os antigos Casais e seus descendentes a se integrarem de fato à nova comunidade sulina, surgida naquela confusão generalizada motivada pela retirada tumultuada dos Casais, quando da corrida do Rio Grande (fuga precipitada) ante o avanço das forças de Espanha.
Alguns dos casais foram localizados nos campos altos de Viamão e outros no Porto de Viamão, hoje Porto Alegre. Na época, a única localidade oficial era a Capela Grande de Viamão onde estava o Governo, e o Porto dos Casais era a entrada e saída, via fluvial, de que o governo dispunha para realizar a administração da capitania do sul.
Os açorianos que se encontravam arranchados na península do Porto dos Casais, quando assumiu o comando geral da província o Gen. Gomes Freire, mais ou menos em 1763, o mesmo resolveu retirar elementos do Porto dos Casais e juntar a outros que ainda estavam em torno da Vila do Rio Grande, no assentamento do povo novo da Ilha de Tarotama e os da Ilha Martins e encaminhá-los ao repovoamento das Missões, na margem esquerda do rio Uruguai, por portugueses, iniciando assim, o deslocamento gradativo através dos rios Jacuí e Taquari, para aguardar a prometida retirada das forças espanholas que dominavam as missões jesuíticas.
Para tirá-los da ociosidade, Gomes Freire iniciou a construção de pequenos baluartes militares ao longo dos dois rios, além de providenciar a fundação de novas povoações e fornecer "datas" e "sesmarias" na região desbravada, a fim de garantir a retaguarda das forças militares que iriam gradativamente ocupando os lugares desocupados pelos espanhóis, de acordo com o que regia o Tratado de Madrid.
Assim, foram levados para a chamada forqueta de Santo Amaro, com o objetivo de cooperarem nos trabalhos da construção de um fortim de palissadas, de armazéns de mantimentos e de aquartelamento, iniciado em maio de 1752 e concluído no ano seguinte. Nesse lugar, ficariam alguns deles como agregados civis ao pequeno destacamento.
Cerca de vinte e sete desses Casais constam nos assentamentos como de seus primeiros povoadores ao redor do núcleo de Santo Amaro, depois vila e cidade sul-riograndense.
Também Triunfo, instalada como freguesia autônoma de Viamão em 1757, e em Taquari, antes mesmo de sua fundação como povoado açoriano, já se encontravam" Casais de Número" sobre os quais apenas temos notícias concretas a partir de 1761, depois da corrida do Rio Grande.
Nos assentos oficiais de 1752/1763, encontram-se assinalados, incluindo alguns relacionados com os 14 Casais encaminhados de Rio Grande para a margem setentrional do rio Jacuí até Rio Pardo, os batizados de 1033 crianças, filhos de 446 casais açorianos, incluindo nesse total os constituídos após a chegada dos nubentes.. Destes, eram oriundos da Ilha São Jorge 167 homens e 170 mulheres; da Ilha Fayal 94 homens e 107 mulheres; da Ilha Terceira 78 homens e 75 mulheres, da Ilha Pico 32 homens e 32 mulheres e da Ilha das Flores, 3 homens e 2 mulheres.
Todos os demais, incluindo os arranchados no Porto de Viamão e em torno de Rio Pardo, ainda ainda continuariam por muito tempo na mesma situação em que os deixara Gomes Freire ao regressar para o Rio de Janeiro.
Em 1773 já se achava à margem setentrional do rio Jacuí, praticamente povoada face a doação de "sesmarias" entre os rios Sinos e o Rio Pardo.
Até aqui, tudo exposto para se entender porque os pioneiros "SILVAS" encontravam-se disseminados na zona oeste do Estado e porque muitos dos nossos ancestrais nasceram em cidades e povoações ao longo do "talveg" dos rios Jacuí, Taquari e Rio Pardo.

Arquivo Pessoal de Ari Caldeira da Silva e Marilia Gudolle C. Göttens

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Trajetória dos Açorianos "SILVA" no RS

Parte dessa pesquisa foi a mim presenteada pelo saudoso primo ARY CALDEIRA DA SILVA, no ano de 1991, quando, após longos anos de pesquisa sobre a família SILVA no RS assim me disse: "Prima, eis aqui, o que pude fazer!!!! Espero que continues, acrescendo tudo o que pesquisares e que continues completando os mais possíveis dados de nossa história familiar referente a nossa numerosa família "SILVA".
A trajetória histórica descrita, remonta a levas de imigrantes portugueses ou "casais de número" que fora transportados do Arquipélago dos Açores e aqui no Rio Grande do Sul foram fixados como povoadores da incipiente colonização lusa nesta região do Brasil, aproximadamente nos idos de 1734.
O arquipélago dos Açores compõem três grupos de ilhas, separados por grandes intervalos, sendo nove principais assim distribuídas:
Santa Maria e São Miguel, com as ilhotas Formigas; no centro Terceira, São Jorge, Fayal e Graciosa; a oeste, Flores e Pico Corvo.
O seu solo é eminentemente vulcânico e muito dos seus picos são antigas crateras de vulcões extintos. Os Açores são muito elevados e apresentam formas esquisitas pela sua irregularidade.
O clima é suave e semelhante ao do sul da Europa, favorecendo a vegetação. Se solo produz não só as plantas européias como as tropicais. A vinha, os cereais,os legumes e as frutas são largamente cultivados. Cria-se também gado, suíno, lanígero e vacum.
Santa Maria é uma das menores ilhas do arquipélago, só tendo 17 Kms, na maior dimensão de sua forma irregular.
São Miguel, é de todas a maior, tendo 64 Kms. de comprido por 20 de largura.
Terceira segue-se em tamanho abaixo de São Miguel, medindo 30 kms de comprimento por 20 de largura média. Pela doçura do seu clima e beleza é considerada como um verdadeiro paraíso terrestre.
Pico, que tira seu nome da montanha que a domina e é a mais elevada do arquipélago, medindo 2.222 metros de altitude, tem 46kms de comprimento e uma forma bizarramente irregular. A Ilha é muito montanhosa, especialmente ao ocidente, onde está o maciço sobre que assenta o Pico.
Fayal, muito próxima do Pico, de que está separada por um estreito canal de6kms, em sua maior dimensão.
São Jorge é uma ilha estreita e longa com 54kms, por 5 a 6 estendendo-se de Leste para ONO, de Pico e Fayal, da qual está separada por um canal de 18 kms, em sua maior largura.
Graciosa, a 28 milhas a NO da Terceira, e a 20 de São Jorge, é depois de Corvo, a menor das nove ilhas do grupo. Seu comprimento de SE, atinge 18 kms com uma largura apenas de 6 kms no máximo. É a mais fértil do arquipélago, conquanto pouco arborizada.
Flores é a primeira do pequeno agrupamento que forma a extremidade NO, do arquipélago: fica a 225 kms do grupo da Graciosa e Fayal.
Corvo marca a extremidade NO dos Açores e é a menor das ilhas que o constituem.

Retrocedendo a história, no ano de 1680, Dom Manuel Lobo, então governador da Capitania do Rio de Janeiro, a mando do rei de Portugal, comandando uma poderosa frota de vários navios armados, contornou o território ao sul das fronteiras portuguesas que abrangiam a região da atual república do Uruguai até o estuário do Rio da Prata, zona de influência da Espanha na América do Sul.
Na margem direita do estuário frente a Buenos Aires, Dom Manuel Lobo, toma posse e estabelece numa área restrita, a célebre Colônia do Sacramento, povoação armada aos moldes de um baluarte militar destinado a alojar uma população flutuante a fim de dar uma aparência de colonização naquela vasta região despovoada. Na verdade, esse posto avançado, nada mais era do que uma fronteira avançada do império português.
Esse grupo de colonização situava-se além das posições militares da Espanha e, portanto, isolada da dispersa e diminuta comunidade portuguesa situada ao longo da costa atlântica para norte do continente.
Apesar dessas deficiências Portugal desenvolveu um grande esforço de colonização, visto que, a povoação mais próxima da Colônia do Sacramento era a vila de São Francisco da Laguna, situada abaixo da Vila de Desterro e distante 150 léguas e somente alcançada por caminhos difíceis.
Essa região imensa era despovoada e selvagem. Para sanar essa lacuna populacional e dar melhor apoio militar a fim de controlar a presença constante da Espanha que dominava a região ao sul da Barra do Rio Grande até a Colônia do Sacramento, bem como o território da missões orientais, o governo constrói as pressas um forte militar na entrada da Barra do Rio Grande destinado a dar apoio as forças de ocupação do império luso além de vigiar e dar combate às embarcações corsárias e escravagistas que praticavam ações de pilhagem ao longo da vasta e desértica costa do Atlântico Sul.
Foi nessa fase da história açoriana que os "SILVAS" marcaram sua presença formando a primeira leva de CASAIS que foram transportados por mar da Ilha de Santa Catarina até a região do Forte Militar da Barra e ali arranchados provisoriamente em área das Ilhas de Tarotama e Martins, bem como na atual cidade de São José do Norte.
Como a simples ação militar de apoio fosse precária, Dom João V, rei de Portugal, por influência do Conselho Ultramarino, resolveu organizar e financiar, a partir de 1740 a vinda para o Brasil de mais ou menos 4.000 portugueses habitantes do Arquipélago dos Açores, conhecidos como "casais de número", assim denominados porque só eram aceitos, quando convocados por editais, e sob certas condições tais como: os homens deveriam ter no máximo 40 anos e as mulheres 30 anos e somente possuírem dois filhos, menores ou não.
A resolução imperial tinha dois importantes motivos políticos para essa determinação, quais sejam: 1º) Tentar povoar a região sul do Brasil que viria a ficar livre quando fosse efetivada a retirada dos espanhóis da margem esquerda para a margem direita do rio Uruguai na atual região missioneira como estipulava o Tratado de Madrid firmado em 13/01/1750 entre Portugal e Espanha, mas que infelizmente não se concretizou pelo não cumprimento por parte daEspanha, do que havia sido acordado; 2º) Proporcionar o povoamento da região ao sul do Forte Militar de Rio Grande até a Colônia do Sacramento. E, para isso, o governo processou assentamentos açorianos nas cercanias da entrada da Barra, momento esse, como anteriormente citado, que os SILVA aportaram nesse chão.
Um português, chefe de uma firma Armadora, firmou contrato com o governo português, para o transporte dos "casais" que atenderam ao chamado do governo imperial para emigrarem ao sul do Brasil.
O contrato foi firmado em 7/8/1747 e de acordo com as condições do mesmo, segundo Jaime Cortezão e Guilhermino Cezar, teria sido o contrato redigido por Alexandre de Gusmão, vassalo de Dom João V e que em 1750 iria conduzir com sucesso as negociações para ultimar o 1º tratado de limites com o domínio hispânico na América do Sul - o Tratado de Madrid.
A firma de Oldemberg, mantinha desde 1741 o monopólio do comércio português ultramarino, que contratara até1752 e que dominava com seus barcos a navegação entre a Metrópole e o Brasil.
Seu poderio comercial, quase absoluto, contudo viria a desaparecer sob os escombros da cidade de Lisboa, quando esta foi sacudida e devastada em 1º/11/1755, por terrível e demolidor terremoto.
Apesar dessas dificuldades, somou-se que à época também o Arquipélago dos Açores sofreu idêntico cataclisma quando foram destruídas as Ilhas do Pico, Fayal e Graciosa. Este fato acelerou providências para a transferência de colonizadores açorianos para o Brasil.
Publicados os editais nas ilhas, concitando a todos os interessados a se inscreverem com as vantagens materiais prometidas por El Rei, já em 17 de setembro de 1747, nada menos que 448 Casais se inscreveram num total de 1433 pessoas, entre os quais membros da velha nobreza lusa e flamenga dos primeiros povoadores do Arquipélago que haviam ficado arruinados pela catástrofe que se lhes abateu.
O Armador Oldemberg não foi feliz nesse contrato, pois logo na primeira viagem efetuada que aportou entre janeiro e fevereiro de 1748 à Desterro, na ilha de Santa Catarina, grandes foram os prejuízos e maiores os dos Casais vindos nesse comboio.
Após uma viagem terrível de quase três meses no mar, confinados em pequenos navios mercantes e cargueiros denominados "galeras", lotados e sem acomodações para tão elevado número e, ainda com sua situação agravada por tantas outras medidas restritivas impostas aos Casais durante o longo e moroso percurso, os quais foram impostas por ordem do Conselho Ultramarino, sob a presidência de Marquês do Pombal.
Essas diretrizes impostas aos armadores pelo contrato, propiciaram efeitos danosos que se fizeram sentir na grande mortandade entre os passageiros já que essas medidas disciplinares atingiram em cheio, principalmente as mulheres.
A odisséia desses Casais, desde sua partida das Ilhas até seu destino na Vila de Desterro, cuja saga foi agravada por uma deficiente alimentação e ainda mais pela disposição daquele malfadado regulamento com o fim de acautelar as desordens e "safadezas" que eram comuns em viagens longas, principalmente, em navios que transportavam mulheres, ordens estas dirigidas com as melhores intenções, mas de correspondências nada compensadas.
O regulamento em vigor chegara a impor um regime de verdadeiro enjaulamento como se as mulheres passageiras estivessem em prisões, recebendo sua alimentação através de um postigo... Somente o cirurgião e o capelão podiam entrar nos alojamentos de ambas e de seus filhos menores, assim mesmo apenas para tratá-las ou para lhes ministrarem os sacramentos, tudo na presença do comandante do navio. Era permitido que falassem com elas somente os maridos, filhos e irmãos, à hora da principal refeição e sem chegarem-se muito perto...
Quando nos dias santificados o capelão celebrasse missa, poderiam as mulheres ouvir a referida missa ao pé do altar, passando na ida e na volta, entre alas de guardas armados que as separavam do resto dos homens, colonos e tripulantes...
Por essas razões absurdas, é que devemos render homenagens às nossas heróicas ancestrais açorianas, visto que muitos dos que abandonaram as Ilhas dos Açores na esperança de dias melhores no Brasil, foram sendo sepultados nas águas do Atlântico com seus sonhos e ilusões.
Os que resistiram à travessia, chegaram ao seu destino como verdadeiros espectros. Entretanto, estes sofrimentos não foram os últimos, pois no Brasil, eles e elas, casais ou não, tiveram três anos de sofrimentos e agruras em região desconhecida, enfrentando desconforto, alojadas em habitações de paredes de barro cru e cobertas com palhas de tiririca dos banhados, além de alimentação insuficiente. Melhores condições de vida usufruíram os Casais que foram arranchados nas proximidades do mar, porque dispunham da pesca abundante para sobreviver. Os casais localizados nas cercanias do forte militar da Barra, aguardavam pacientemente um assentamento definitivo vivendo nos acampamentos sediados nas ilhas de Tarotama, Martins e em uma área do atual município de São José do Norte. Mais tarde, foram estes Casais que formaram os assentados nas terras de Viamão e no Porto dos Casais, hoje Porto Alegre.
Dos sofredores Casais acantonados ao longo da costa oriental da Ilha de Santa Catarina, alguns foram sendo removidos, à medida do possível, para o Rio Grande de São Pedro e outros iniciaram povoamento e plantações onde hoje situam-se as praias de Joaquina, Lagoa da Conceição, Ingleses, Canasvieiras, Jurerê e outras.
Nesse período da colonização, assumiu o governo da província do Sul, o General José Marcelino, tomando então providências para legalizar a situação dos Casais já localizados na iniciante povoação de São José do Taquari e em outros pontos ao longo dos rios dos Sinos, Taquari e Jacuí, conferindo-lhes "datas" e até sesmarias, visando com estes provimentos a formação de bases defensivas seguras para o futuro acolhimento de forças militares, ante uma possível ofensiva hispânica sobre a cidade estratégica de Rio Pardo, já em desenvolvimento à época.
O governadorJosé Marcelino ordenou ao engenheiro Capitão Alexandre José Montanha, a demarcação das terras da antiga sesmaria do Padre José Nunes Reis, na região de Itapuã, loteando-a em "datas", para serem distribuídas a 60 casais de Açorianos, dos que se encontravam nos campos de Viamão aguardando destino.
Pretendia o General José Marcelino, fundar nesse local a futura povoação da VilaReal de Santana ou de Santana do Morro Grande, hoje 2º distrito de Viamão. Essa iniciativa, no entanto, não vigorou e, também pelos mesmos motivos que fizeram fracassar as tentativas iniciais com casais açorianos no litoral catarinense.
As terras da sesmaria de Itapuã usadas para as "datas", eram exageradamente arenosas, impróprias tanto para construir casas como para a agricultura, além da ação nefasta de ser a área infestada por formigas saúvas de difícil extermínio à época.
Assim, nada restou do que deveria ser uma povoação e uma freguesia. Dos sessenta casais beneficiados com a doação de "datas" demarcadas pelo engenheiro Montanha naquele ano de 1770, apenas restaram em 1784 os 15 Casais citados pelo General Borges Fortes, entre outros, os casais Antônio Alvares de Souza, Antônio Silveira Dutra, Caetano de Borba, José Luiz Viegas, João Nunes Machado, Luiz Vieira Fraga, Silvestre Vieira, MANUEL PEREIRA SOARES e sua mulher Dª MARIANA SILVEIRA DA SILVA, AMBOS NOSSOS ANCESTRAIS, e pais de MATHEUS SOARES DA SILVA.

Arquivo Pessoal de Ari Caldeira da Silva e Marilia Gudolle C. Göttens


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Getúlio e Flaubiana de Vargas

O antepassado do Getulio Vargas colocado em nossa genealogia, (ancestrais de Deuclydes, Djalma, Djalmira, Deolmira e Delminda Gudolle) com os seus pais, sem continuidade até a Flaubiana, é o que consta em estudo publicado numa revista e anais do Instituto Histórico e Genealógico do RS.
São os seguintes, que chegaram em cerca de 1752 no RS:
2l. (li+lj) Antônio José de Vargas (1720, Açores) e 2.m (ll+lm) Maria Josefa Machado (* 1724, Ilha Terceira, Açores). (casal açoriano chegado em cerca de 1752, que recebeu terras na freguesia de Santo Amaro RS).
li. Domingo Dutra (*1690, Freguesia de São Miguel, Ilha do Faial, Açores) e lh. Francisca de Vargas (*1695, idem).
ll. Manoel Machado Neto (*1694, Ilha Terceira) e lm. Maria das Candeias (*1699, idem).

Infelizmente, há várias genealogias do Getúlio. O ex-Deputado Bueno, pesquisador de genealogia, certa vez informou que essas diferenças de opinião vinham de o Getúlio ser descendente de um bastardo daqui do sul, dizendo isto com um sorrisinho maldoso.
Já Tio Osvaldo Aranha certa vez comentou que o Getúlio teria dito a um genealogista bajulador:" É melhor que não pesquisem muito, pois vão acabar no mato ou na cozinha", ou seja, nos índios ou nos negros.
Em outra ocasião, Tio Osvaldo comentou com um parente: " uma vez, um genealogista paulista que fez sua genealogia lhe disse que ele era "Paulista de 400 anos", porque descendia do famoso cacique Tibiriçá (não fez por menos!) ao que Tio Osvaldo retrucou para a surpresa do genealogista bajulador, "Não quero!". Mas porquê?, Tibiriçá foi um grande herói da colonização e um dos troncos das famílias mais antigas de São Paulo!. "O Senhor sabe o que quer dizer Tibiriçá?", perguntou nosso Tio, estudioso da língua tupi: "Cara de Bunda". É que essa parte, de tão gostosa e carnuda, era dada aos chefes nos festins canibais, explicou nosso Tio!!.
Vamos ver se conseguimos chegar ao Getúlio pela Flaubiana!!!
Por ser nossa Tia Avó Dija (Djalmira Gudolle) bastante decidida e corajosa, contava que mantinha um "salon" em Itaqui, onde se conspirava a Revolução de 30 que está no diário do André sobre o tio Osvaldo; foi, no mínimo heróica!! Defendeu o Luiz Aranha com o próprio corpo, dos tiros que os legalistas lhe preparavam, do barco em que iam fugir para o Alvear e convenceu vários soldados legalistas a se passarem para o lado dos revolucionários. Conseguiu dinheiro, cigarros, fósforos, fez pasteis e pães de minuto e distribuiu tudo pela soldadesca. Está tudo documentado em carta que Tia Avó Dija escreveu à D. Luizinha Aranha, hoje no arquivo dos Aranhas. Na carta escreveu" me perdoe se perjuro, mas sinto que Deus me tenha posto nesta figura de mulher; como homem teria feito muito mais por nossa terra". Eta gaúcha bacana!! Será que os dias de hoje produziriam uma mulher assim? O que perdemos com o tempo que passou?

Arquivo Pessoal de FCG e Marilia Gudolle C. Göttens